Coisas Boas
Encheu a boca com um belo pão com manteiga. Encheu a boca de água. Engoliu. Encheu as mãos de dinheiro no bolso da calça.
A sensação de saber que comeu é diferente de sensação de notar que comeu, porque seu estômago está cheio. Dói. Quem comeu e não sabe, não sabe o gosto bom que tem o alimento, ao mastigá-lo. Come-o com voracidade, uma, duas esmagadelas e basta.Tudo já desce a goela e ganha rápido o bucho porque logo a mandibula coloca na língua mais comida, tão rápido possa ser triturada, será lançada ao caminho e assim por diante. O prazer de comer termina antes mesmo da refeição entrar na boca, antes da refeição entrar na boca já virou comida.
Marcos estava sentado com a sacola nas costas. Queria ele ter o olhar perdido ao lanchar, como se pensasse em algo ou recordasse uma ou outra lembrança. Na verdade Marco olhava para os lados como se desconfiasse de cada instante. Como se todo o momento vindouro fosse uma anunciação, não era comum um novo presente, e de novo o presente. Novamente o presente. Marco estava sentado e angustiado à espera constante do futuro.
A mulher do caixa sorriu para Marco, quando ele colocou sobre o estande uma nota de cem amassada para pagar o lanche. Ela empurrou a nota na direção do homem, expremendo os olhos e a boca em um sorriso “Pegue isto aí. Se me oferecer novamente vou agarrá-la!”, brincou a caixa evitando que Marco pagasse.
Olhou fixamente para ela por alguns instantes: o cabelo bem alisado atado no alto da cabeça, muitos enfeites nos pulsos e nas mãos rápidas e gentis. Lábios fartos e um olhar bonachão estapavam o rosto daquela mulher que deveria beirar os quarenta. Uma idade complicada para as mulheres. Mas não para aquela, ali atrás do balcão, parecia feliz. A pele negra limpa, sem oleosidade e o cheiro bom de perfume, resistiam ao ar carregado de lanchonete.
Ela sorriu “Vai que está na tua hora!”, disse.
A sensação de saber que comeu é diferente de sensação de notar que comeu, porque seu estômago está cheio. Dói. Quem comeu e não sabe, não sabe o gosto bom que tem o alimento, ao mastigá-lo. Come-o com voracidade, uma, duas esmagadelas e basta.Tudo já desce a goela e ganha rápido o bucho porque logo a mandibula coloca na língua mais comida, tão rápido possa ser triturada, será lançada ao caminho e assim por diante. O prazer de comer termina antes mesmo da refeição entrar na boca, antes da refeição entrar na boca já virou comida.
Marcos estava sentado com a sacola nas costas. Queria ele ter o olhar perdido ao lanchar, como se pensasse em algo ou recordasse uma ou outra lembrança. Na verdade Marco olhava para os lados como se desconfiasse de cada instante. Como se todo o momento vindouro fosse uma anunciação, não era comum um novo presente, e de novo o presente. Novamente o presente. Marco estava sentado e angustiado à espera constante do futuro.
A mulher do caixa sorriu para Marco, quando ele colocou sobre o estande uma nota de cem amassada para pagar o lanche. Ela empurrou a nota na direção do homem, expremendo os olhos e a boca em um sorriso “Pegue isto aí. Se me oferecer novamente vou agarrá-la!”, brincou a caixa evitando que Marco pagasse.
Olhou fixamente para ela por alguns instantes: o cabelo bem alisado atado no alto da cabeça, muitos enfeites nos pulsos e nas mãos rápidas e gentis. Lábios fartos e um olhar bonachão estapavam o rosto daquela mulher que deveria beirar os quarenta. Uma idade complicada para as mulheres. Mas não para aquela, ali atrás do balcão, parecia feliz. A pele negra limpa, sem oleosidade e o cheiro bom de perfume, resistiam ao ar carregado de lanchonete.
Ela sorriu “Vai que está na tua hora!”, disse.
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