Trem
O barulho do trem incomodava, mas não mais que o olhar das pessoas que embarcam nas estações. São olhares desconfiados, que temem aos outros e que fogem aos olhares alheios correndo inibidos para os cantos dos vagões. Os olhares fogem para as janelas onde não se pode vislumbrar nada além de borrões. Os olhares fogem para os bancos rabiscados e para o chão inerte. Para as portas fechadas, que se abrem apenas para alguns olhares saírem e outros olhares entrarem. Nos olhos é proíbido olhar. Dói. Fere. Arranca qualquer coisa de alguém sem lhe pedir permissão, olhar é falta de bom senso. Olhar outra pessoa nos olhos é falta de discernimento e continuar olhando para ela é falta de educação. Olhe no máximo o tempo permitido para saber posicionar-se antipodamente a ela e evitar que se esbarrem. Saiba que ela também vai fazer o mesmo. Ambos evitarão um encontrão. O olhar quer dizer muito sobre o pudor, mas se alguém olha para um homem com má aparência é um olhar de qualquer coisa julgadora, um olhar sem pudor. É um olhar de execramento.
O barulho do trem incomodava tanto quanto os olhares lhe execrando. Mas felizmente ele sabia que ao descer do trem esqueceria todos aqueles olhares, todo aquele trem.
A plataforma estava fria, soprando um vento sem força e pesadamente ausente de algo deixando-o frio. Talvez o vento não devesse ser cheio de coisas naquele momento em que tudo tinha terminado. Não havia ninguém na plataforma a quem pudesse soprar morno e acalentar. O vento tornara-se frio na dimensão vazia da plataforma. Nos ares ocultos d'outras paradas onde habitava uma impressão humana o vento soprava bom, ali não. E se Marco pudesse ter entendido, escutado ou até mesmo compreendido aquele alguém lhe chamando no fim da plataforma ele teria voltado. Mas ele correu cabisbaixo para fora da bilheteria e tomou as escadas. Como se estivesse atrasado.
O barulho do trem incomodava tanto quanto os olhares lhe execrando. Mas felizmente ele sabia que ao descer do trem esqueceria todos aqueles olhares, todo aquele trem.
A plataforma estava fria, soprando um vento sem força e pesadamente ausente de algo deixando-o frio. Talvez o vento não devesse ser cheio de coisas naquele momento em que tudo tinha terminado. Não havia ninguém na plataforma a quem pudesse soprar morno e acalentar. O vento tornara-se frio na dimensão vazia da plataforma. Nos ares ocultos d'outras paradas onde habitava uma impressão humana o vento soprava bom, ali não. E se Marco pudesse ter entendido, escutado ou até mesmo compreendido aquele alguém lhe chamando no fim da plataforma ele teria voltado. Mas ele correu cabisbaixo para fora da bilheteria e tomou as escadas. Como se estivesse atrasado.
1 comentários:
O q mais gosto é a maneira como vc consegue transportar o leitor p dentro do cenário. ando de trem desde a infância e é exatamente essa a sensação q tenho.
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