19 de dezembro de 2011

Marialva

Marialva repousou seus dedos finos e delicados sobre o telefone. Chorava sem e soluçava(as lágrimas vertiam, porque se Marialva as vertesse ela teria um porquê em fazê-lo, e nesta altura, onde as lágrimas já deveriam ter-se findo, nenhum porquê remanescia). Enquanto chorava um mar de remorso, um cigarro queimava entre os dedos. O braço pendia para fora da mesa, enquanto ela observava a imagem embaçada de uma fumaça dançando no ar.

Quando não há vento, sequer brisa, não se percebe a fumaça dançar. Ela apenas sobe e vai. Para o teto, talvez. Procurando uma janela ou se dissipa, simplismente. Quando há movimento por perto a fumaça drapeja. Toma rumo diverso do que pretendia quando o ar se desloca para deixar outro corpo passar.

Marialva estava inerte.

Uma voz esbravejou ao fundo, como se fosse, ao longe.

Alguém saiu pela porta, batendo-a com força, empurrando muito ar para dentro daquele cômodo. Este foi o único alvoroço movimento no ar do quarto, naquela manhã.

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